A Futilidade do Exercício – Estudo “Woman’s Health Iniciative”
Resource

A Futilidade do Exercício – Estudo “Woman’s Health Iniciative”

By Jason Fung, MD

  • Estudos científicos confirmam repetidamente que ‘Comer menos, mover-se mais’ é uma forma ineficiente de perder peso
  • O aumento do exercício não levou a mais perda de peso ao longo do tempo
  • As intervenções nas escolas baseadas no ‘Comer menos, mover-se mais’ também falharam
Por Jason Fung, M.D., Co-fundador do The Fasting Method. Traduzido por Maira Soliani, M.D/ PhD.

A estratégia padrão de perda de peso ‘Comer menos, mover-se mais’ foi posta à prova no estudo Woman’s Health Initiative- Iniciativa de Saúde da Mulher. A Restrição calórica simples – isto é, reduzir calorias sem pensar muito em mudar os alimentos que comemos foi considerada ineficaz para perda de peso. Acontece também que aumentar os exercícios também é um método ineficaz de perda de peso. Não há dúvida de que o exercício é bom para a saúde. Mas simplesmente não é tão eficaz para perda de peso. Como Eric Ravussin, da Louisiana State University, explicou na Time Magazine: “Em geral, para perder peso, o exercício é bastante inútil”.

Coma menos

O estudo da Women’s Health Initiative foi um estudo enorme, caro e ambicioso do National Institute for Health publicado em 2006 “Padrão dietético de baixo teor de gordura e mudança de peso ao longo de 7 anos: o ensaio de modificação dietética da Women’s Health Initiative Howard BV et al. JAMA 2006; 295: 39-49” Perto de 50.000 mulheres participaram por uma média de 7,5 anos neste ensaio clínico randomizado, o padrão ouro em estudos clínicos em medicina.

Nesse estudo a dieta incluiu sessões de educação, atividades em grupo, entrevistas e feedback personalizado para reduzir com sucesso a gordura ingerida para 20% das calorias diárias totais, aumentar vegetais e frutas para 5 porções / dia e grãos para 6 porções / dia. O grupo de controle, por outro lado, apenas recebeu uma cópia das Diretrizes Alimentares para os Americanos.

Esta intervenção dietética foi consistente com as recomendações nutricionais da época (1993-1998), e o aconselhamento dietético conseguiu mudar o comportamento. A ingestão calórica total foi reduzida de 1788 para 1446 calorias / dia – uma redução de 361,4 calorias / dia por mais de 7 anos. A gordura como porcentagem das calorias reduziu de 38,8% para 29,8%. Os carboidratos aumentaram de 44,5% para 52,7%, uma vez que o consumo de grãos integrais foi incentivado.

Mova-se mais!

O segundo pilar do estudo WHI foi o aumento dos exercícios. As mulheres no grupo do estudo aumentaram sua atividade física diária de 10 METs / semana para 11,4 METs / semana. MET, que significa “equivalentes metabólicos”, é simplesmente uma medida de atividade física. Em outras palavras, a atividade física aumentou 14% em relação à linha de base ao longo desses 7,5 anos.

O grupo de intervenção aderiu com sucesso uma dieta com baixo teor de calorias e de gorduras e, ao mesmo tempo, aumentou o exercício (comer menos, mover-se mais). O peso médio no início do estudo era de 76,8kg (169 lbs) com um Índice de Massa Corporal médio de 29,1, na categoria Sobrepeso (IMC 25-29,9), mas limítrofe à categoria Obesa (> 30). Então o que aconteceu?

Resultados

O grupo “Coma menos, exercite-se mais” começou muito bem, com uma média de mais de 2kg eliminados no primeiro ano. Já no segundo ano, o peso começa a ser recuperado e, ao final do estudo, não há diferença significativa entre os dois grupos. A perda de peso ao longo de 7,5 anos da estratégia  “Coma menos, exercite-se mais” não foi nem mesmo um único kg perdido.

Talvez a explicação seja que as mulheres perderam gordura e ganharam músculos, então o peso permaneceu estável. Isso apareceria como uma redução da relação cintura-quadril (RCQ), uma vez que a gordura corporal normalmente é transportada na cintura. Infelizmente, a cintura média aumentou de 89,0 para 90,1 cm, e a RCQ média aumentou de 0,82 para 0,83. Essas mulheres não apenas não perderam peso, como também estavam mais pesadas do que antes de começarem o estudo.

Muitas pessoas dizem: “Não entendo. Como menos. Faço mais exercícios. Mas não consigo perder peso.” Eu sei. Eu acredito nelas. Porque este conselho vem se provando um fracasso. As dietas de redução calórica funcionam no mundo real? Absolutamente não.

O efeito do exercício

O estudo WHI também examinou com mais detalhes essa parte do estudo sobre exercícios neste artigo “Atividade física e prevenção de ganho de peso, Estudo de saúde da mulher“. Os pesquisadores acompanharam 39.876 mulheres de 1992-2004, dividindo-as em 3 grupos que representam níveis altos, médios e baixos de exercícios semanais.

O grupo que se exercitou menos (<7,5 MET horas por semana) fez menos de 150 minutos por semana. O maior grupo de exercícios (> 21 MET horas por semana) fez mais de uma hora por dia. No início (tempo 0), os que se exercitavam mais eram os mais leves e os que se exercitavam menos eram os mais pesados. Por enquanto, tudo bem. Mas o que aconteceu nos próximos 10 anos? Essa vantagem continua a aumentar com este exercício diário? Você esperaria que depois de 10 anos, aqueles que continuaram a se exercitar continuassem a aumentar seus benefícios.

Surpreendentemente, não foi isso que a pesquisa mostrou. Na verdade, há uma diferença na quantidade de peso perdido ou ganho entre os 3 grupos. O peso extra que você esperaria perder ao longo de qualquer período de 3 anos é 0,12 kg. Sim, você leu corretamente. Se você se exercitar todos os dias durante 1 hora por 3 anos, provavelmente pesará 0,12 Kg a menos do que se não fizesse nada.

O exercício é bom para a sua saúde de várias maneiras – melhor tônus muscular, força, densidade óssea, etc. O exercício só não é tão bom para perder peso. Outros estudos mostram quase os mesmos resultados, embora o estudo WHI seja de longe o maior.

O Estudo HEALTHY

Uma publicação mais recente, o estudo HEALTHY, publicado no prestigioso New England Journal of Medicine em 2010 e intitulado “Uma intervenção Escolar para a redução do risco de Diabetes“. 42 escolas e 4.603 alunos da 6ª à 8ª série participaram ao longo de 3 anos, com metade recebendo a intervenção multicomponente que incentivava os alunos a:

  • Reduzir o teor médio de gordura nos alimentos
  • Servirem-se de pelo menos 2 porções de frutas e vegetais por aluno
  • Servirem-se de ao menos 2 porções de alimentos à base de grãos e / ou legumes
  • Aumentarem o tempo gasto em atividades físicas moderadas a vigorosas

Em outras palavras – nosso velho amigo dingleberry – coma menos, mova-se mais. Não muito brilhante, mas tão familiar quanto um cobertor velho. Os alunos perderam mais peso com essa abordagem? Funcionou? Nem um pouco. Ao final de três anos, os dois grupos reduziram essa porcentagem para cerca de 45%. Em outras palavras – não houve benefício mensurável para este grupo de dieta e exercícios em comparação a não fazer nada de especial. É praticamente inútil para perda de peso.

Para mais informações, veja O Código da Obesidade

Saiba mais sobre o chá de jejum Pique.

Confira “O Método do Jejum” (The Fasting Method) para obter a educação e o suporte necessários para começar a jejuar.


Jason Fung, MD
By Jason Fung, MD

Jason Fung, M.D., is a Toronto-based nephrologist (kidney specialist) and a world leading expert in intermittent fasting and low-carb diets.

Share this article with a friend
More articles you might enjoy...More Blogs