O surpreendente paradoxo de comer demais
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O surpreendente paradoxo de comer demais

By Jason Fung, MD

Influência do ‘termostato de gordura’ do corpo na perda de peso

  • O percentual de gordura corporal é controlado como um termostato, que determinará se perderemos ou não peso

  • Quando perdemos peso, nosso corpo tenta recuperar esse peso aumentando a nossa fome e diminuindo a taxa metabólica basal

  • Da mesma forma, quando ganhamos peso, nosso corpo tenta perdê-lo diminuindo a nossa fome e aumentando a taxa metabólica basal

Por Jason Fung, M.D., Co-fundador de The Fasting Method. Traduzido por Maira Soliani, M.D/ PhD.

A maioria das pessoas pensa que comer demais causa obesidade e comer menos nos permitirá perder peso. Se isso estiver correto, quando você superalimentar participantes em um estudo, eles devem ganhar peso de forma consistente. Fácil de provar, certo? Isso é o que o endocrinologista Dr. Ethan Sims também pensava no final dos anos 1960 em seus famosos experimentos de superalimentação.

Ele recrutou estudantes universitários para participar de seu experimento de comer demais. Todo mundo achou que seria fácil. Participantes ganham as refeições, sem problema. Mas, surpreendentemente, não foi tão fácil forçar essas pessoas a comerem demais e ganharem peso. Para àqueles de vocês que já tentaram alimentar um bebê gritando e se debatendo (porque temiam que esse bebê pudesse morrer de fome) – VOCÊS sabem do que estou falando. Ou talvez lembrem da última vez que você se empanturrou no rodízio da churrascaria. Imagine logo em seguida comer mais 2 costeletas de porco. Viu só? não é tão fácil… Quando ficamos satisfeitos, não é fácil forçar mais comida goela a baixo. O mero pensar na comida já te deixa nauseado.

Portanto, o Dr. Sims rapidamente abandonou essa rota e, em vez disso, resolveu utilizar os prisioneiros da Prisão Estadual de Vermont a serem seus participantes do estudo. A atividade física também pode ser estritamente controlada para que não pudessem queimar o excesso de calorias ingeridas. Inicialmente, os prisioneiros eram alimentados com 4000 calorias / dia. Eles acharam que era o suficiente, mas aconteceu uma coisa engraçada. Os participantes começaram a ganhar peso inicialmente, mas depois o ganho de peso se estabilizou.

Assim, com uma combinação de curiosidade científica e controle ético frouxo (alô – consentimento informado?), alguns prisioneiros foram obrigados a comer mais de 10.000 calorias / dia. Isso mesmo, 10.000 calorias por dia! Um homem ganhou apenas 5 quilos com tudo isso. No entanto, a maioria das pessoas ganhou mais de 20% do peso corporal. O que aconteceu com seu gasto energético total (GET)? Aumentou em 50%. O corpo estava tentando queimar todas as calorias extras.

Isso parece razoável. Imagine que você tem uma lareira e usa 1 pedaço de madeira todos os dias. Agora, de repente, você começa a receber 5 peças de madeira por dia, todos os dias. Você não começaria a usar um pouco mais de madeira? Claro. O corpo aumenta o GET e nos sentimos bem.

Quando o experimento terminou, os pesquisadores ficaram surpresos com a rapidez com a qual  o peso corporal voltou ao normal. Quando deixados à própria escolha, a maioria dos prisioneiros comeu muito pouca comida e o peso voltou rapidamente ao normal. Portanto, apenas comer mais calorias por si só NÃO leva, de fato, ao ganho de peso a longo prazo. O percentual de gordura corporal atua como um termostato. Embora o peso corporal possa ficar temporariamente acima do peso definido, isso reduz rapidamente se as coisas voltarem ao normal.

Vejamos um experimento mais recente: Resposta metabólica à superalimentação experimental em voluntários saudáveis ​​magros e com sobrepeso. Am J Clin Nutr Oct 1992; 56 (4): 641-55 Diaz EO

Os indivíduos foram superalimentados com um excesso em 50% ao longo de 6 semanas e então monitorados por outras 6 semanas usando uma dieta com 46% de carboidratos. O peso aumentou nas primeiras 6 semanas em até 6,8Kg. Mas nas 6 semanas seguintes, o peso corporal voltou ao normal de forma rápida e automática.

Mudanças no gasto total de energia

Usando água duplamente marcada e calorimetria indireta para medir o GET, os pesquisadores descobriram que a partir de um GET médio inicial de 13,2 MJ / dia, as taxas metabólicas aumentaram 1,4 MJ / dia (cerca de 10%) para 15,0. Em outras palavras, o corpo aumentou o gasto de energia para queimar esse excesso de calorias entraram. Após o período de superalimentados, o GET voltou a cair para 13,1 MJ / dia. O peso voltou ao normal e o GET também voltou ao normal.

Estudo de Superalimentação Experimental 

Do artigo “concluímos que há evidências de um sensor fisiológico sensível ao fato de que o peso corporal havia sido perturbado e estava tentando recuperá-lo”. Em outras palavras, parece que há um ponto de ajuste de peso corporal (Peso Corporal Definido). Focar apenas nas calorias é uma estratégia falha porque o corpo resiste às mudanças na gordura corporal. Em vez disso, a questão importante é a seguinte: o que controla o Peso Corporal Definido? A resposta: são os hormônios. Não podemos simplesmente restringir as calorias. Precisamos ajustar esse peso definido.

O experimento de 5000 calorias

Em um toque moderno nos experimentos clássicos de comer demais, Sam Feltham decidiu realizar um experimento em si mesmo, absolutamente fantástico! Ele comeria 5.794 calorias por dia de uma dieta pobre em carboidratos e rica em gordura (LCHF) por 21 dias com a seguinte distribuição de macronutrientes-  carboidratos 10%, gordura 53% e proteína 37%. De acordo com cálculos padrão de calorias, ele deveria ter ganho 7,3 kg de gordura (linha amarela no gráfico acima). O ganho de peso real, no entanto, foi de apenas 1,3 kg. O mais interessante é que a circunferência da cintura caiu 3 cm, o que significa que mesmo com o ganho de peso, grande parte disso é massa magra.

Um excesso de calorias por si só não é suficiente para produzir ganho de gordura. As coisas são muito, muito mais sutis do que uma simples escala de calorias ingeridas e calorias gastas.

O Desafio de Carboidratos

Sam então mudou sua dieta para um estilo padrão da ‘Associação Americana de Diabetes´ tida como uma dieta  ‘equilibrada’ ainda no absolutamente brilhante Desafio de Carboidratos de 5.000 calorias por 21 dias. Durante 21 dias, ele comeria 5.793 calorias / dia de alimentos “falsos” – principalmente grãos refinados e açúcares. A composição dos macronutrientes foi de 64% carboidratos, 22% de gordura e 14% de proteína. Curiosamente, isso não é muito diferente do que a maioria das autoridades nutricionais recomendam para nós. Então, com a mesma quantidade de calorias, ele ganharia ou perderia peso?

Seguindo as recomendações dietéticas padrão, seu ganho de peso espelha quase exatamente o previsto pela fórmula calórica – ganho de peso de 7,1 kg (15,6 lb). A circunferência da cintura aumentou 9,25 cm, indicando que ele realmente engordou. Para a mesma quantidade de calorias totais, uma dieta – de alimentos naturais com baixo teor de carboidratos e alto teor de gordura (LCHF) – produziu perda de gordura (redução do tamanho da cintura). Por outro lado, uma dieta estilo padrão pela Associação Americana de Cardiologia, rica em carboidratos, produziu um ganho de peso de 7Kg!

Peso definido do corpo

A única maneira de perder peso com sucesso a longo prazo é diminuir o peso corporal definido – o “termostato” de peso corporal, em vez de nos concentrarmos apenas nas calorias. O peso corporal definido atua como um termostato de gordura corporal – agindo em aumentar a gordura corporal se perdermos peso e diminuindo a gordura corporal se ganharmos peso.

Considere uma analogia: Suponha que você defina o termostato de sua casa para 30 ° C, o que é muito quente e insuportável. Para resfriar sua casa, agora você traz um ar condicionado. Isso esfria um pouco a casa, mas então o termostato liga o aquecimento de modo que o A / C e o aquecedor lutam constantemente entre si.

É assim que atualmente abordamos a perda de peso. Cortamos calorias, mas ignoramos o peso corporal definido que é controlado por hormônios. Você tenta perder peso enquanto seu corpo tenta recuperar esse peso. Ficamos com fome e nosso metabolismo começa a parar.

Não seria muito, muito mais fácil ajustar o termostato para 21 ° C – uma temperatura confortável, em vez de lutar constantemente contra nós mesmos? A razão pela qual as dietas são tão difíceis é que estamos constantemente lutando contra nosso próprio corpo. Compreender os fundamentos hormonais do ganho de peso nos permitirá entender como controlar o peso corporal definido e perder peso de forma eficaz.

Para mais informações, veja O Código da Obesidade

Saiba mais sobre o chá de jejum Pique.

Confira “O Método do Jejum” (The Fasting Method) para obter a educação e o suporte necessários para começar a jejuar.


Jason Fung, MD
By Jason Fung, MD

Jason Fung, M.D., is a Toronto-based nephrologist (kidney specialist) and a world leading expert in intermittent fasting and low-carb diets.

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